14 abril 2009
  Na Faixa
minha parceira Cilmara Bedaque acaba de estrear o blog "Na Faixa" lá no portal da MTV, com "pílulas e dicas de música, idéias e sentidos colhidos no ar". Recomendo!! No primeiro post, uma dupla de meninas que eu gosto muito, o Client.

 
06 abril 2009
  Amor ou Sabedoria?
coluna GLS publicada na Revista da Folha em 29/03/2009

por Vange Leonel


Uma de minhas personagens favoritas, Evangeline Musset é a heroína lésbica do obscuro "Almanaque das Senhoras", escrito, em 1928, por Djuna Barnes. Ao completar 50 anos, ela decide transmitir sua sabedoria às outras mulheres: "Nunca queira nada que você não tenha, nunca tenha nada que não permaneça e não deixe nada sobrar".

Assim, Musset manda tocar todos os sinos da Galileia e pergunta às garotas que encontra pelo caminho: "O que é o que é? Tão manco como Ganso, parado como Pausa, rápido como Relógio, molhado como Córrego, mole como rabo de Rato, duro como Coração, salgado como toucinho, amargo como Bile, doce como entrada, ácido como Cidra passada, prezado como Querida e vil como Furúnculo; que está sempre presente ainda que nunca à Vista, tão leve como Lenço e escuro como Corvo?". Musset revela: "É o Amor".

E continua: "O que é o que é? Tão mansa como Teta de Vaca, forte como Peão, quieta como Tostão, tão segura quanto pense-o-que-quiser ou certa-está-você? Sabedoria. E qual deles você vai querer?"

Amor ou sabedoria? As garotas não respondem, fazem que não ouvem e seguem suas vidas. Desolada com as jovens de ouvidos moucos, Musset então pergunta a uma senhora de idade se há mais o que aprender. A velha responde: "Aos 60 você já está dez Anos cansada de sua Sabedoria". Rapidamente, Musset dá meia-volta e reconsidera a ordem para que toquem os sinos.

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  Caçada Virtual
coluna GLS publicada na Revista da Folha em 15/03/2009

por Vange Leonel



O Xbox LIVE é um serviço que permite a interação em rede entre jogadores do console Xbox. Ao se cadastrar no Live, o usuário cria um perfil e pode enfrentar outros jogadores virtualmente ou formar times para jogar.

Há poucos dias, uma jogadora lésbica foi banida do Live por infringir a regra que proíbe os usuários de escrever nos perfis conteúdos de cunho sexual, racista ou que possam ofender outros jogadores. Como a jogadora declarava-se lésbica (cunho "sexual") e isso ofendeu outros jogadores, foi cortada da comunidade.

A história, porém é um pouco mais complicada. A jogadora era perseguida virtualmente por outros usuários. "Eles me seguiam por vários jogos, mapas e cenários, convocando outros jogadores para se voltarem contra mim porque não queriam conviver com coisa ruim." Ou seja: a regra puniu a vítima e protegeu seus detratores.

Ciente da dificuldade que é legislar sobre uma minissociedade virtual, a Microsoft, dona do Live, pediu a ajuda ao Glaad (organização gay e lésbica contra a difamação) para elaborar um sistema mais eficiente que iniba esse tipo de perseguição.

Não é tarefa fácil. Sites de relacionamentos e redes de jogos estão formando uma geração de covardes. Protegidos pelo anonimato e pela ilusória imaterialidade do mundo virtual, eles ofendem, perseguem, xingam e depois desligam o computador como se nada tivesse acontecido. Sem consequências.

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  Fora da regra
coluna GLS publicada na Revista da Folha em 01/03/2009

por Vange Leonel


Logo após assumir a presidência dos Estados Unidos, Bill Clinton tentou cumprir uma promessa de campanha: aprovar uma lei proibindo as Forças Armadas de expulsar homossexuais de suas tropas. A tarefa, porém, revelou-se inglória. Membros do Partido Republicano e da área militar se opuseram duramente. A solução foi a criação, em 1993, de uma lei meia boca conhecida pela expressão "Don't Ask, Don't Tell" ("Não Pergunte, Não Revele").

A lei, em vigor até hoje, proíbe que governo ou superiores militares perguntem sobre a orientação sexual dos subordinados. Como contrapartida, gays e lésbicas podem servir às Forças Armadas contanto que não revelem sua homossexualidade. Discrição é a regra.

Na semana passada, a veterana do Iraque Amy Brian foi dispensada depois de ser flagrada por uma colega beijando a namorada numa fila de supermercado. "[Ser lésbica] não fez a menor diferença quando me mandaram para o Iraque. Não fez a menor diferença na minha habilidade em servir o meu país", disse Amy. E completou: "Todo mundo sabia que eu era lésbica, e ninguém nunca teve problemas com isso".

De fato, grupos gays sustentam que o Exército americano fez vista grossa nos últimos anos à inclusão de homossexuais abertamente assumidos depois que o recrutamento se tornou difícil e a necessidade de tropas no exterior, mais urgente. Ou seja: na hora do aperto, tanto faz ser gay ou não. Hipocrisia é a regra.

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  Lésbica na chefia
coluna GLS publicada na Revista da Folha em 08/02/2009

por Vange Leonel

O colapso econômico mundial atingiu em cheio a Islândia. Em outubro, seus bancos faliram e o país teve que pedir US$ 10 bilhões ao FMI em razão da crise. O valor da moeda nacional despencou, e os cidadãos viram suas economias escoarem pelo ralo.

A população protestou nas ruas pedindo a saída do então primeiro-ministro, Geir Haarde. A chapa esquentou. Pela primeira vez em 50 anos, a polícia local usou gás lacrimogêneo para dispersar um tumulto.

Há poucos dias, Haarde pediu demissão e antecipou as eleições para maio deste ano. Uma coalizão "mezzo esquerdista, mezzo verde" indicou uma senhora de 66 anos para substituir Haarde em um mandato-tampão.

Não é a primeira mulher a exercer o cargo de primeira-ministra no país. Mas é a primeira lésbica assumida a ocupar o mais alto posto de comando, não apenas na Islândia mas no mundo inteiro.

Johanna Sigurdardottir é querida na terra do gelo: tem 73% de aprovação da população e fama de defensora dos fracos e oprimidos.

Mãe de dois filhos, ela é casada legalmente com a escritora e dramaturga Jonina Leosdottir (lá, as uniões homossexuais são equiparadas ao casamento heterossexual). Ninguém no país parece se incomodar com a orientação sexual de Sigurdardottir.

O povo espera apenas que ela dê um jeito na bagunça. Pois é, vida de lésbica na Islândia parece ser fácil -a não ser que você seja primeira-ministra.

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  Amor de verão
coluna GLS publicada na Revista da Folha em 25/01/2009

por Vange Leonel

Até aquele momento, ela era apenas uma criança grande. Mas, quando começou a perceber uma espécie de aflição alegre no peito, achou que poderia estar sentindo aquilo que os adultos chamavam de paixão. Era incrível como, de repente, tomada pelo desejo por outra garota, a menina se transformara da noite para o dia numa adolescente às voltas com urgências do coração.

À noite, rolando na cama sem conseguir dormir, sonhava acordada com cenas tão singelas quanto excitantes: seu braço encostando de leve no braço dela; elas, lado a lado, sobre uma toalha estendida na areia olhando as estrelas; um segredo dito entre sussurros, revelando o amor mútuo e, para selar a fantasia, um beijo inocente.

Então, ela acordava de seu delírio com um pensamento chato: será que podia beijar outra mulher? Na praia, durante aquelas férias de verão, ela só vira casais formados por pai e mãe, homem e mulher, garoto e garota ou senhor e senhora.

Definitivamente, não conseguia lembrar de ter visto algum casal do mesmo sexo passeando romanticamente de mãos dadas pela orla.

Apaixonada e dona de uma coragem que só as crianças transformadas subitamente em adolescentes são capazes de ter, decidiu que, depois de pedir a amiga em namoro (tinha certeza de que ela aceitaria), seria a primeira a passear de mãos dadas com a namorada naquela praia. Seria um verão inesquecível!

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Cantora, compositora, colunista GLS e proto-escritora. Lésbica e feminista. Atualmente assina a coluna GLS da Revista da Folha no jornal Folha de S.Paulo e a coluna "Vange Leonel" no Mix Brasil.

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