14 janeiro 2008
  Pelo Telefone
coluna GLS publicada na Revitsa da Folha em 06/01/2008

por Vange Leonel


Ano Novo. O telefone toca. Eu atendo. É ela, dizendo palavras doces e surpreendentes, mas desejadas e esperadas por mim com ansiedade. Sua voz fala ao meu ouvido, enfim, matando saudades urgentes. Estamos distantes, mas o ano chega simultaneamente para nós. Em tempo real, sua voz me toma, tão viva, próxima e quente.

Será que o cara que inventou o telefone concebeu um dia o fio substituindo cartas de amor tão perfeitamente? Ou imaginou que, tempos depois, não haveria mais fios e os celulares pequeninos, aconchegados junto ao peito, vibrariam de alegria ao anunciar a chegada de notícias muito queridas?

Os mais românticos, ou conservadores, ou saudosistas irão argumentar que cartas podem ser guardadas, ao passo que a voz ao telefone se perde para sempre. Mas, antes de se esvair pelos fios sem fios das ondas que se propagam no ar, a voz da garota que amo ecoa em meus ouvidos e repercute pelo infinito dentro de mim.

É como a melodia encantadora que alcança eternidades graças à memória afetuosa que a guarda infinitamente. Exatamente como aquelas mal traçadas de antigamente, colhidas e preservadas para serem laçadas por uma lembrança amorosa a qualquer instante e para sempre.

Impossível deixar de evocar essas variantes do tempo quando um novo ano chega -o que é imediato, instantâneo e fugaz está definitivamente atado ao que é eterno, infinito e duradouro. Como sua voz ao telefone: repetidamente inédita, como os dias do ano que me pegam de jeito, sem jeito e de peito aberto.


© Folha de S.Paulo

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08 janeiro 2008
  aos 18
Como primeiro post do ano, resolvi recordar a minha saída do armário oficial, que aconteceu na edição de julho da extinta revista "Careta" (edição n. 2736). Foi no ano de 1981 quando o grupo ativista ao qual pertencia, o GALF (Grupo de Ação Lésbico-Feminista) deu uma entrevista sobre a importância de assumir a homossexualidade. Isso, numa época em que o assunto era tabu e a polícia costumava fazer arrastão pelos bares GL para prender homossexuais. Eu tinha acabado de fazer 18 anos aceitei posar para a única foto da matéria (essa aí, abaixo).


© foto de Cristina Villares
 

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Cantora, compositora, colunista GLS e proto-escritora. Lésbica e feminista. Atualmente assina a coluna GLS da Revista da Folha no jornal Folha de S.Paulo e a coluna "Vange Leonel" no Mix Brasil.

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