Memórias de uma Mulher Macaca - capítulo 16 "Não sei bem se eu tentava encontrar algum novo sentido para minha vida ou desejava apenas escapar de um mundo já demasiadamente conhecido. Talvez estivesse mesmo cansada de ser a menina segregada por ter cara barbada e temperamento tímido. Aproveitei que ninguém ali no santuário me conhecia direito e resolvi mudar meu jeito de ser: a garota retraída iria se transformar numa pessoa diferente, mais assertiva e segura de si..."(continua)
Memórias de uma Mulher Macaca - capítulo 14 "Era uma vez um enorme vazio. Dentro deste vazio, como a força de um buraco negro tragando toda e qualquer matéria, uma ansiedade monstruosa que só fazia o vazio aumentar. Eu vivia dentro deste universo centrípeto, em colapso, onde emoções tão incipientes quanto intensas naufragavam num redemoinho sem fim..." (continua)
Memórias de uma Mulher Macaca - capítulo 13 "Dormimos de conchinha. No dia seguinte, como esperava, ela não comentou nada. Nem uma palavra. Desmontamos a barraca, preparamos as mochilas e retomamos a jornada..." (continua)
Memórias de uma Mulher Macaca - capítulo 12 "Ela estava na minha frente. Carne, osso e lábios querendo uma resposta: “e aí, posso ir com você?”. Respondi que sim, claro, achando que ela só estava a fim de me acompanhar por alguns quarteirões. Descemos a ladeira lado a lado e ela perguntou quais eram meus planos. Disse que viajaria até uma cidade vizinha, ali perto. Não entrei em maiores detalhes. Ela percebeu que eu tentava ser discreta. Apenas revelei que faria a pé os cerca de cento e vinte quilômetros. “Beleza!”, exclamou a menina, perguntando em seguida: “quando partimos?”. Como assim? Ela queria ir comigo? Desejava seguir a meu lado para além daquelas esquinas?"... (continua)
Memórias de uma Mulher Macaca - capítulo 11 "...Com as palavras da minha mãe girando em moto perpétuo na cabeça ("você é especial, recriação do elo perdido") passei a estudar textos de evolução, darwinismo e biologia molecular. De Richard Dawkins a Donna Haraway, li tudo o que havia nas prateleiras de casa e mais uma infinidade de documentos na internet..." (continua) leia mais um capítulo da incrível mulher macaca no Mix Brasil.
Memórias de uma Mulher Macaca - capítulo 10 "No dia seguinte nos encontramos. Mal dormi à noite, pensando como seria quando nos víssemos novamente. Ela iria me abraçar? Viraria a cara? Será que pra ela nossa noite de amor havia sido tão incrível como fora para mim?"... (continua)
Memórias de uma Mulher Macaca - capítulo 9 "... Sua mão desabotoou minha calça. Ela deitou sobre meu corpo, pressionou seu quadril, colocou minha mão dentro dela e entrou dentro de mim. Nossas bocas não se desgrudaram mais. Nossos corpos juntos produziam uma fricção cadenciada. Os dedos fincados em carne úmida e cálida faziam escorrer mais vinho entre as pernas..."
Memórias de uma Mulher Macaca - capítulo 8 "Naquela semana a jornalista não apareceu. Ligou e desmarcou nossa entrevista, dizendo que estava doente. Perguntei se precisava de algo. Ela disse que não. Era grave? Não entrou em detalhes. Talvez não fosse. Provavelmente, pensei comigo, era uma desculpa esfarrapada para não vir. A garota podia ter se incomodado com minha pergunta estúpida ("você, por exemplo, ficaria comigo?") e me evitava... (continua)"
Memórias de uma Mulher Macaca - capítulo 7 "Gravando: entrevista com a mulher-macaca, segunda sessão". A jornalista colocou seu garavador sobre a mesa de centro entre nós duas e tirou de sua mochila um bloco de anotações."Então, me diz: quando você percebeu que era diferente das outras pessoas?", questionou logo de cara". (continua)
Memórias de uma Mulher Macaca - capítulo 6 ´E assim aconteceu: lá estava ela, de volta. A jornalista, por definição curiosa, querendo saber mais sobre o passado secreto de minha mãe cientista. Como se não pudesse esperar mais e seu tempo fosse muito precioso para desperdiçar com bobagens, ela disparou de imediato: "então, qual é a grande revelação que você tem pra mim?"´... (continua)
Memórias de uma Mulher Macaca - capítulo 5 "Será que alguém ainda acredita em amor à primeira vista? Pois eu, a mulher macaca, filha de uma cientista fria, calculista, e uma símia aparentemente alheia a significados e metáforas, não acreditava. Mas aconteceu. Juro que aconteceu. Ela entrou pela porta do meu apartamento, já se apresentando..." (continua)
Memórias de uma Mulher Macaca - capítulo 4 "A fertilização e o implante das primeiras células embrionárias foram um sucesso. Depois de algumas semanas os exames de imagem já mostravam o pequeno embrião crescendo dentro da barriga de Shana. Tudo parecia de acordo com o processo normal do desenvolvimento de um feto. Mas no quinto mês de gestação uma ultra-sonografia em 3D revelou algo que alarmou a cientista: a criança na barriga da macaca (que era eu, em estado embrionário) tinha uma arcada dentária proeminente e braços mais longos do que o normal para um feto humano..." (continua)
Memórias de uma Mulher Macaca - capítulo 3 Na noite anterior à inseminação, a cientista teve um sonho estranho. Ela estava na usina de Chernobyl, vertendo ânforas de água gelada para esfriar um reator incandescente. Em vez do avental do laboratório, vestia um tecido enrolado ao corpo, como aquelas figuras romanas estampadas em vasos antigos... (continua).
Memórias de uma Mulher Macaca - capítulo 2 Tudo começou quando o relógio biológico de uma cientista louca despertou ao completar quarenta anos de idade. Após décadas dedicadas ao trabalho incansável em laboratório, ela percebeu que desejava ser mãe... (contiunua)
lá no Mix, o segundo capítulo da minha saga da Mulher Macaca.
Memórias de uma Mulher Macaca - capítulo 1 "Sou metade macaca e metade humana. Não, não digo isso no sentido em que somos todos descendentes de um ancestral símio. Não. Eu sou, literalmente, um híbrido, uma quimera: metade macaca e metade humana. Não que isso seja uma novidade..."
Esta semana estreei lá no Mix Brasil minha web-novela "Memórias de uma Mulher Macaca". Uma espécie de autobiografia fantástica que estou escrevendo na forma de folhetim.
Clique e leia. A cada 15 dias colocarei um novo capítulo.
Cantora, compositora, colunista GLS e proto-escritora. Lésbica e feminista.
Atualmente assina a coluna GLS da Revista da Folha no jornal Folha de S.Paulo e a coluna "Vange Leonel" no Mix Brasil.