Kim Stolz é uma das participantes do reality show "Americas Next Top Model" (no canal Sony, às quartas, às 20h; reprise aos domingos, às 16h) que está detonando os estereótipos que acabei de citar. Além de possuir diploma universitário de ciências políticas, a menina é inteligente e articulada. Lésbica assumida, mistura um jeito meio machinho com um rosto feminino e uma docilidade angelical. Em entrevista ao site "AfterEllen" Kim disse não se definir segundo gêneros masculino ou feminino: "gênero, assim como sexualidade, é um amplo espectro e não acho que existam apenas dois gêneros, ou três, ou quatro. São milhões deles".
Ignorando essas múltiplas possibilidades, os juízes da competição oscilam entre dois extremos: uns pedem para Kim ser mais feminina e outros insistem para que ela afirme sua masculinidade. O problema é que masculino e feminino não são categorias tão definidas. Por isso, a androginia é tranqüila para Kim.
Estressante mesmo é o clima competitivo que reduz tudo a dicotomias do tipo masculinidade versus feminilidade, e vitorioso versus perdedor.
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Cantora, compositora, colunista GLS e proto-escritora. Lésbica e feminista. Atualmente assina a coluna GLS da Revista da Folha no jornal Folha de S.Paulo e a coluna "Vange Leonel" no Mix Brasil.

